‘Nós queremos produzir e viver na cultura’: a vida na retomada dos guaranis no litoral norte do RS

Os guarani mbya constroem a casa de reza na entrada do acampamento da nova aldeia, dentro da área da Fepagro | Foto: Guilherme Santos/Sul21

Fernanda Canofre

Dois quilômetros de caminhada e a Mata Atlântica vai se fechando cada vez mais pelo caminho. A estrada, que permite a entrada de carros até metade do trecho, vira um trilho onde só os pés podem seguir. Um pouco mais adiante, à esquerda, um galho atravessado entre duas árvores, indica o ponto onde virar. São mais uns 100 metros de mata até os olhos chegarem à clareira onde 80 indígenas Mbya Guarani constroem o acampamento da retomada de suas terras, com a casa de reza, construída com barro fresco, guardando a entrada da nova tekoá.

No centro do acampamento de barracas, a lona preta – tão comum às margens de rodovias gaúchas – aqui abriga homens, mulheres e crianças da chuva de verão que cai no fim da tarde, no meio de um pedaço remanescente de floresta. A música da rabeca, a panela cozinhando milho, o cheiro do fumo que sai do cachimbo e da lenha que queima são os guaranis voltando à terra como a conhecem desde sempre.

A aldeia recém-nascida está localizada dentro da área da Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária (Fepagro), em Maquiné, no litoral norte do Rio Grande do Sul. No final da tarde do dia 27 de janeiro, cerca de 30 famílias indígenas, vindas de Barra do Ouro, Varzinha e de um acampamento da zona rural de Maquiné, ocuparam o local pacificamente, buscando as terras que foram de seus antepassados.

O Cacique Cirilo é o único apontado em processo de reintegração de posse movido pela Procuradoria Geral do Estado | Foto: Guilherme Santos/Sul21

“Maquiné já é a língua guarani. É como capim. Fizemos a retomada de várias regiões aqui, porque o passado aqui é dos guaranis”, explica o Cacique Cirilo Morinico. “No passado, território indígena, [agora] foi criando propriedade privada, com cerca. Estamos enfrentando isso hoje porque, nossos futuros guaranis, que ñanderú, nosso criador na Terra – ñanderú é como chamamos Deus – foi criando Terra para viver da nossa cultura, nossa tradição”.

Os indígenas dizem que a área tem “tudo preparado para viverem ñande reko”, como chamam o modo de vida guarani. A maioria das famílias que participam da retomada em Maquiné vivia até agora em terras não-produtivas, algumas demarcadas pela Funai (Fundação Nacional do Índio), como é o caso de terra Campo Molhado, ou à beira de estradas. Cacique Cirilo conta que nas terras onde os colocaram o plantio era difícil. “É um processo de luta, de sofrimento. Você vai na área demarcada, não produz milho e não tem a comida típica, como vai sobreviver ali? Não produz porque é muito frio. Então, na verdade, tudo isso é sofrimento. Nós precisamos terra boa também para produzir, para ter alimentos, para as crianças se sustentarem (…) aqui a terra não é lavrada, aqui é bem produtiva”.

Na área do governo do Estado, eles encontraram terra fértil e rios, chás e remédios para curar todo tipo de doença, velhos conhecidos dos guaranis. “A minha filha, que tem 6 anos de idade, tomou banho de rio pela primeira vez aqui. Porque onde nós moramos a água vem de caminhão pipa. Enquanto os filhos de vocês podem frequentar os melhores balneários, os melhores clubes, o nosso povo, que é originário dessa terra e que caminhou muitos anos nessa terra, tem sido jogado fora”, diz Merong Tampuramã, índio Pataxó Hãhãhãe, casado com uma guarani, que vive em Erebango, no noroeste do Rio Grande do Sul.

Os caciques Cirilo e André, junto ao indígena Merong, na entrada da propriedade ocupada | Foto: Guilherme Santos/Sul21

Governo considera retomada ‘invasão’

A área ocupada pelos indígenas foi adquirida pela Secretaria de Agricultura em 1948. O Estado desapropriou a área de 335 hectares para fins de atividades públicas e indenizou pequenos agricultores, descendentes de alemães, açorianos e italianos, que viviam no local. Na época, o projeto para a região de Maquiné era a instalação de uma estação experimental de pesquisa. Entre o final dos anos 1970 e pela década de 1980, quando o país vivia a chamada “Revolução Verde”, o Centro de Pesquisa de Maquiné chegou a ter 50 funcionários produzindo e trabalhando em estudos. Hoje, são 3 pesquisadores e um funcionário.

Segundo Rodrigo Favreto, engenheiro agronômo que trabalha há 15 anos na Fepagro de Maquiné, por muitos anos o local sofreu por falta de investimentos. Um concurso convocado no governo Yeda Crusius (PSDB) e outros projetos seguidos por Tarso Genro (PT), com verba do governo federal, trouxeram ao centro R$ 1,2 milhão de investimentos em 6 anos. O engenheiro diz ainda que, embora “visivelmente não apareça”, o centro do litoral norte é “o com mais pesquisas da Fepagro”.

Parte da propriedade da Fepagro, retomada pelos guaranis, indica abandono | Foto: Guilherme Santos/Sul21

Entre os projetos tocados em Maquiné estão pesquisas com frutas tropicais – cerca de 80% da produção de abacaxi e 70% da de banana do estado saem do litoral, segundo ele – de melhoramento genético de feijão, plantas nativas, como a palmeira juçara e a goiabeira serrana e de preservação da Mata Atlântica, com sistemas agroflorestais. Um dos projetos desenvolvidos ali, por exemplo, é o plantio do palmito nativo dentro dos bananais já existentes, para aumentar a produtividade da terra. O projeto é tocado em propriedades rurais da região e Favreto diz que cerca de 20 produtores já estariam licenciados para aplicá-lo.

Em dezembro, a Fepagro foi uma das fundações encaminhadas para extinção no pacote do governador José Ivo Sartori (PMDB). Porém, diferente de outras fundações, com apenas funcionários estatutários, a Fepagro não terá nenhum demitido. Segundo o chefe de gabinete da antiga Fepagro, Arceli da Silveira, “os servidores serão remanejados”. Na prática, ela perdeu a autonomia de fundação e passou a ser Departamento de Diagnóstico e Pesquisa Agropecuária, dentro da Secretaria de Agricultura. Desde o início do governo atual, o Centro de Maquiné, já vinha sobrevivendo com corte no custeio. No ano passado, descontando gastos e o que foi produzido na propriedade, o Centro de Maquiné fechou o ano com gasto de R$ 8 mil.

“Não sei até que ponto [os indígenas] sabiam ou não que tinha atividades acontecendo, porque essa mensagem que o governo levou da extinção, mostrou que, ‘bom, vai ser privatizado’”, avalia Rodrigo Favreto. “A gente também não sabe ainda, porque o governo não disse exatamente. Numa carta que mandou aos servidores ele diz: ‘não sabemos ainda o que vai ser em cada um dos centros, não foi decidido ainda’. A gente não sabe qual a intenção do governo para essa área. A nossa intenção, como servidores, entendendo a importância da pesquisa que está sendo feita e que a gente não vai ser demitido, ainda mais considerando esse contexto de Mata Atlântica, a gente entende que a pesquisa deve continuar”.

Os indígenas relatam que, em 20 dias no local, já flagraram caçadores e extração ilegal de palmito, como se fosse hábito na região. “Nós chegamos aqui e estava tudo abandonado, ninguém cuidou. Entramos na mata e estavam cortado o palmito. Mas roubaram. Nós pegamos dois brancos pegando, segurando. Pegamos de surpresa, até ficamos assustados”, relata o Cacique Cirilo.

O engenheiro agrônomo Rodrigo Favreto trabalha no Centro de Maquiné há 15 anos e vive na propriedade com a esposa | Foto: Guilherme Santos/Sul21

Vivendo na propriedade há 8 anos, junto com a esposa, Favreto diz que foi comunicado pelos indígenas sobre a retomada na mesma tarde em que chegaram. Ele explicou aos guaranis que teria de avisar a Brigada Militar, como um procedimento de praxe. Sem efetivo na cidade, no entanto, os policiais não compareceram ao local. No dia seguinte, os índios ocuparam a sede administrativa da Fepagro por algumas horas. O incidente de um pedaço de vidraça quebrado é citado no relatório da PGE. No mesmo dia, porém, eles se retiraram e instalaram as barracas no mesmo espaço onde estão estabelecidos agora, a 2 quilômetros de distância da entrada da propriedade. O próprio engenheiro diz que, apesar de o grande número de pessoas circulando pela área podendo comprometer pesquisas, a convivência tem sido “tranquila e pacífica”.

“As árvores interessam para o governo? Ou será que ele pretende transformar isso em lavoura de soja, em condomínio fechado? O nosso povo precisa usufruir daquilo que é dele, que é da natureza e precisa estar aqui nesse território como guardião da natureza”, defende o indígena Merong.

Na propriedade, placas em protesto à extinção da Fepagro pelo governo estadual | Foto: Guilherme Santos/Sul21

Quando a reportagem chegou ao escritório administrativo da Fepagro, na área ocupada pelos índios, Rodrigo estava sentado ao computador redigindo um relatório a pedido do Ministério Público Federal, relatando as atividades desenvolvidas no Centro de Pesquisa de Maquiné. O processo que pede a reintegração de posse da propriedade, da Procuradoria Geral do Estado, cita em vários pontos “pesquisas” e “plantações” que mereceriam “zelo e preservação”, mas não especifica nenhuma delas.

O pedido de reintegração de posse foi entregue na Vara Federal de Capão da Canoa logo após a reunião realizada entre indígenas, o Centro Indigenista Missionário (CIMI), a Secretaria de Agricultura e a PGE. No processo, a retomada é classificada pelo Estado como “invasão” e a Funai e o Cacique Cirilo são apontados como réus. Como provas, a Procuradoria anexou reportagens que noticiaram a entrada dos indígenas na área e fotos retiradas dos perfis de apoiadores e dos próprios indígenas em redes sociais. A PGE pede ainda urgência na retirada dos guaranis do local, alegando que “a situação está se consolidando, sendo que o decurso do tempo só acarretará maiores prejuízos ao Estado, especialmente porque essas moradias terão que ser derrubadas, enquanto que o material nela empregado sequer é recuperável”.

Crianças guarani voltaram a conviver com a natureza dentro da área preservada de Mata Atlântica | Foto: Guilherme Santos/Sul21

Terra com a proteção de Tupã

A primeira coisa que os guaranis fizeram assim que cruzaram a cerca que marca a propriedade do Estado, foi começar o ritual de reconhecimento entre eles e suas terras. Os cânticos dos indígenas, logo se encontraram com os dos pássaros da Mata. Assim eles sabiam que eram aceitos, como se um acordo entre eles e a natureza estivesse firmado. Em seguida, pediram a Tupã por um nome para a nova aldeia e por proteção. O nome ainda não se revelou. Mas ele vem, acredita o Cacique.

Os guaranis eram um dos povos tradicionais da região do litoral norte gaúcho. Antes da chegada dos portugueses, o Brasil chegou a ser território de 1,5 milhão de guaranis. Pelo menos seis vezes mais do que o número calculado no século XVI, quando o genocídio de seu povo teve início. Foram dizimados na proporção de 1 sobrevivente para cada 500 mortos. “O tronco indígena que mais contribuiu para o Brasil”, segundo o antropólogo Darcy Ribeiro. Hoje, a estimativa é de que existam no país 7 mil Guaranis Mbya.

Em geral, as aldeias guaranis são jovens. Condições precárias de vida e falta de políticas colocaram o povo indígena sob ameaça, especialmente nas últimas décadas. Na aldeia formada dentro da Fepagro também é assim. É difícil encontrar entre eles alguém que aparente mais de 30 anos ou tenha cabelos brancos. Apesar de as mulheres não falarem português, como os homens, no trabalho a divisão é igual. Homens e mulheres vivem em condição de igualdade dentro da aldeia.

Poty se diz “feliz” na nova terra | Foto: Guilherme Santos/Sul21

Uma delas, Jaxuka Poty, cercada pelos 4 filhos, que só conheciam a vida dura de uma terra sem plantio, parece feliz com a ideia de futuro ali. “Eu estou feliz por estar aqui em meio a floresta. Eu vejo os rios e o som dos pássaros, a terra é fértil para o plantio, estou muito feliz por estar aqui com meus filhos, com essa construção da Casa de Reza, e a gente acredita que nosso Deus Tupã abençoará essa retomada”, diz em um guarani manso, traduzido por um companheiro de aldeia, enquanto ela ceva o cachimbo.

O Cacique da terra de onde veio Poty, na zona rural de Maquiné, André, abre o sorriso para dizer que “tudo já mudou para melhor”. “Criança tem que cuidar toda hora, de carro, de violência, mas chegando aqui muda totalmente”, diz se desculpando por ainda estar aprendendo o português.

No caminho até a aldeia, André conta satisfeito que vê os quatro filhos e as duas filhas retomando um contato com a natureza, do qual seu povo foi se afastando. “Aqui retomamos área, mas não é só área que estamos retomando. Estamos resgatando nossa cultura que está parada há muito tempo. A sociedade fala que os povos guaranis estão perdendo sua cultura, mas não estamos perdendo, apenas não temos condições de continuar. Todas as aldeias são pequenas, não tem remédio, não tem fruta nativa, não tem como seguir com nosso modo de viver. Nós [aqui] estamos felizes, temos alegria com as próprias pessoas e com a natureza”.

Enquanto ele termina de falar, o milho segue cozinhando, a cobertura do telhado da Casa de Reza já está quase completa e as crianças cantam e dançam lado a lado para fechar outro dia. Apesar do que dizem os documentos e mesmo com ação de reintegração de posse sendo colocada em curso a quilômetros dali, debaixo da lona preta, os pés deles lembram que a terra é guarani.

Foto: Guilherme Santos/Sul21

Foto: Guilherme Santos/Sul21

Foto: Guilherme Santos/Sul21

 

Fonte: Sul21

 

Guarani Mbya retomam área tradicional em Maquiné

(Abaixo parte da matéria de Ana Maria Barros Pinto para o Jornal Já)

Surge uma nova aldeia Guarani Mbya no RS, em uma área de mata atlântica na Estação da Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária (Fepagro), em Maquiné (litoral norte). Um grupo de cerca de 80 pessoas – adultos, jovens e crianças- entraram pacificamente na área no final de janeiro e fizeram um acampamento, na ação que eles chamam de retomada.

A área de 367 hectares é reivindicada pelos Mbya em nome da ancestralidade. “É território dos nossos antepassados guarani, somos um povo e queremos respeito às nossas tradições e cultura”, diz o cacique Andre Benites. Ele conhece bem a região: cresceu por ali, em situação precária, assim como outras famílias, plantando em pequenos pedaços de terra cedidos por moradores. Começaram a organizar a retomada assim que souberam da extinção da Fepagro, através de projeto de lei aprovado pela Assembleia Legislativa em dezembro de 2016.

A opy, casa onde são realizadas as rezas, é tradicional nas aldeias

Grupo já construiu um opy, casa onde são realizadas as rezas, tradicional nas aldeias

Nessa terra, explica o cacique André Benites, há mata nativa com frutas silvestres, terra boa para o plantio de alimentos e remédios (ervas medicinais) e um rio. Ou seja, os recursos naturais que permitem o manejo das espécies tradicionais da cultura guarani estão preservados. A retomada é também uma reação ao descaso dos governos, que Benites define assim: “Estamos esquecidos na beira de estradas, vivendo em acampamentos precários. Queremos viver com dignidade, que o Governo reconheça isso”.

O cacique Cirilo Morinico, da aldeia Anhetenguá, da Lomba do Pinheiro em Porto Alegre, se juntou ao grupo

O cacique Cirilo Morinico, da aldeia Anhetenguá, da Lomba do Pinheiro em Porto Alegre, se juntou ao grupo

O cacique Cirilo Morinico, da aldeia Anhetenguá, da Lomba do Pinheiro em Porto Alegre, se juntou ao grupo pela conquista da tekohá (terra, aldeia). Com voz tranquila e pausada, como é característica deste povo, Cirilo fala que os guaranis são orientados por Nhanderu (Deus) e têm esperança na retomada. “Queremos mostrar para a sociedade que o nosso povo tem tradição, espiritualidade, uma cultura que tem de ser preservada. Hoje vivemos em pequenas áreas, como passarinhos cercados. Aqui no nosso território ancestral tem vida”.

A retomada teve vários desdobramentos: os mbya foram chamados para uma audiência na sede do Ministério Público Federal de Capão da Canoa, no dia 3 de fevereiro, onde reiteraram aos procuradores os motivos da decisão de retomar o território ancestral guarani. A disposição é de resistir; a palavra é negociação. Aguardam o despacho do juiz federal marcando audiência. No âmbito estadual, há uma ação de reintegração de posse feita pela Procuradoria Geral do Estado, mas sem pedido de liminar. Será marcada uma audiência.

Fonte: Jornal Já

Dos Protetores da Água em Standing Rock: “Bravos Corações para o Fronte” (EUA)

Os Protetores da Água em Standing Rock compartilharam esse vídeo

convidando todos os “bravos corações” para viajarem até a Reserva Standing Rock na Dakota do Norte e se juntarem a eles na luta para impedir a construção do oleoduto de Dakota.

No final do ano passado, a resistência generalizada contra o projeto do oleoduto levou a administração Obama a momentaneamente parar sua construção, com o Army Corps of Engineers (Corpo de Engenheiros do Exército) anunciando que isso conduziria a uma nova revisão dos impactos ambientais do oleoduto. Mas poucos dias depois de sua posse, o presidente Trump soltou um memorando incitando o Army Corps of Engineers a acelerar a revisão e aprovar o processo. As pessoas que resistem no local reportaram que a brutalidade policial e a militarização aumentaram significativamente desde então. Trump também autorizou a polícia a despejar os resistentes a partir de 22 de fevereiro.

Para auxiliar as pessoas no local e ajudar a manter os Protetores da Água fora da prisão, você pode doar para o fundo da Water Protectors Legal Defense (Defesa Legal dos Protetores da Água) no link abaixo:

Secure.Every.Action

Tradução: Bruno Laet

Fonte: Agência de Notícias Anarquistas

Mbya afirmam que estão seguindo passos de deuses e ancestrais após duas semanas de retomada em Maquiné (RS)

Com mais de 15 dias de retomada, os Mbya já ergueram sua casa cerimonial (opy), e estão construindo casas ao modo tradicional.

Às noites realizam seus rituais, com cantos e danças espirituais. Como pode ser lido em uma faixa na entrada da área, estão seguindo os passos de seus deuses na retomada das terras ancestrais. Parte de seu território histórico, e na visão mbya as terras retomadas são ideais para seu modo-de-ser (tekó).

Pela presença de plantas e animais, por ser boa para plantar, os mbyá dizem aos visitantes que se sentem alegres (vy’á) pela retomada desta terra. A alegria – manifestada no canto dos pássaros e das crianças – como entendem, para além de um sentimento, é também ritual de fortalecimento e manifestação da satisfação dos deuses.

Os líderes do grupo afirmam que seus deuses são os verdadeiros donos da terra, e não o estado dos juruás (os não-índios). Afirmam também que os deuses – dos quais são descendentes – lhes deram a verdadeira “reintegração de posse” daquela terra.

Visitas de colaboradores e apoiadores ocorrem todos os dias. Os líderes do grupo mbya comunicam a seus apoiadores que seguem precisando de lonas, alimentos, roupas, ferramentas e pregos para acomodar melhor jovens e crianças. Também disseram que necessitam de fumo-de-corda para uso ritual.

EZLN anuncia seu calendário de atividades para 2017

La tormenta en nuestro caminar.
  Para nosotras, nosotros, pueblos originarios zapatistas, la tormenta, la guerra, lleva siglos.  Llegó a nuestras tierras con la patraña de la civilización y la religión dominantes.  En ese entonces, la espada y la cruz desangraron a nuestra gente.
  Con el paso del tiempo, la espada se modernizó y la cruz fue destronada por la religión del capital, pero se siguió demandando nuestra sangre como ofrenda al nuevo dios: el dinero.
  Resistimos, siempre resistimos.  Nuestras rebeldías fueron suplantadas en la disputa entre unos contra otros por el Poder.  Unos y otros, arriba siempre, nos demandaron luchar y morir para servirlos, nos exigieron obediencia y sometimiento bajo la mentira de liberarnos.  Como aquellos a quienes decían y dicen combatir, vinieron y vienen a mandar.  Hubo así supuestas independencias y falsas revoluciones, las pasadas y las por venir.  Los de arriba se turnaron y se turnan, desde entonces, para mal gobernar o para aspirar a hacerlo.  Y en calendarios pasados y presentes, su propuesta sigue siendo la misma: que nosotras, nosotros, pongamos la sangre; mientras ellos dirigen o simulan dirigir.
  Y antes y ahora, olvidan ellos que no olvidamos.
  Y siempre la mujer abajo, ayer y hoy.  Incluso en lo colectivo que fuimos y somos.

  Pero los calendarios no sólo trajeron dolor y muerte para nuestros pueblos.  Al expandir su dominio, el Poder creó nuevas hermandades en la desgracia.  Vimos entonces al obrero y al campesino hacerse uno con nuestro dolor, y yacer bajo las cuatro ruedas del carromato mortal del Capital.
  Conforme avanzó el Poder en su paso por el tiempo, más y más crecía el abajo, ensanchando la base sobre la que el Poder es Poder.  Vimos entonces sumarse a maestros, estudiantes, artesanos, pequeños comerciantes, profesionistas, los etcéteras con nombres diferentes pero idénticos pesares.
  No bastó.  El Poder es un espacio exclusivo, discriminatorio, selecto.  Entonces las diferencias fueron también perseguidas abiertamente.  El color, la raza, el credo, la preferencia sexual, fueron expulsadas del paraíso prometido, siendo que el infierno fue su casa permanente.
  Les siguieron la juventud, la niñez, la ancianidad.  El Poder convirtió así a los calendarios en materia de persecución.  Todo el abajo es culpable: por ser mujer, por ser niñ@, por ser joven, por ser adulto, por ser ancian@, por ser human@.
  Pero, al expandir la explotación, el despojo, la represión y la discriminación, el Poder también amplió las resistencias… y las rebeldías.
  Vimos entonces, y ahora, levantarse la mirada de muchas, muchos, muchoas.  Diferentes pero semejantes en la rabia y la insumisión.
  El Poder sabe que sólo es lo que es sobre quienes trabajan.  Los necesita.
  A cada rebelión respondió y responde comprando o engañando a los menos, encarcelando y asesinando a los más.  No teme sus demandas, es su ejemplo el que le causa horror.
  No bastó.  De dominar naciones, el Poder del Capital buscó poner a la humanidad entera bajo su pesado yugo.
  Tampoco fue suficiente.  El Capital pretende ahora manejar a la naturaleza, domarla, domesticarla, explotarla.  Es decir, destruirla.
  Siempre con la guerra, en su avance destructor el Capital, el Poder, demolió primero feudos y reinos.  Y sobre sus ruinas levantó naciones.
  Luego devastó naciones, y sobre sus escombros erigió el nuevo orden mundial: un gran mercado.
  El mundo entero se convirtió en un inmenso almacén de mercancías.  Todo se vende y se compra: las aguas, los vientos, la tierra, las plantas y los animales, los gobiernos, el conocimiento, la diversión, el deseo, el amor, el odio, la gente.
  Pero en el gran mercado del Capital no sólo se intercambian mercancías.  La “libertad económica” es sólo un espejismo que simula acuerdo mutuo entre quien vende y quien compra.  En realidad, el mercado se basa en el despojo y la explotación.  El intercambio es entonces de impunidades.  La justicia se transformó en una caricatura grotesca y en su balanza siempre pesa más el dinero que la verdad.  Y la estabilidad de esa tragedia llamada Capitalismo depende de la represión y el desprecio.
  Pero no bastó tampoco.  Dominar en el mundo material no es posible si no se domina en las ideas.  La imposición con religiones se profundizó y alcanzó a las artes y las ciencias.  Como modas de vestir, surgieron y surgen filosofías y creencias.  Las ciencias y las artes dejaron de ser lo distintivo de lo humano y se acomodaron en un estante del supermercado mundial.  El conocimiento pasó a ser propiedad privada, lo mismo que la recreación y el placer.
 El Capital, así, se consolidó como una gran máquina trituradora, usando ya no sólo a la humanidad entera como materia prima para producir mercancías, también a los conocimientos, a las artes, … y a la naturaleza.
  La destrucción del planeta, los millones de desplazados, el auge del crimen, el desempleo, la miseria, la debilidad de los gobiernos, las guerras por venir, no son producto de los excesos del Capital, o de una conducción errónea de un sistema que prometió orden, progreso, paz y prosperidad.
  No, todas las desgracias son la esencia del sistema.  De ellas se alimenta, a costa de ellas crece.
  La destrucción y la muerte son el combustible de la gran máquina del Capital.
  Y fueron, son y serán inútiles los esfuerzos por “racionalizar” su funcionamiento, por “humanizarlo”.  Lo irracional y lo inhumano son sus piezas claves.  No hay arreglo posible.  No lo hubo antes.  Y ahora ya tampoco se puede atenuar su paso criminal.
  La única forma de detener la máquina es destruirla.
  En la guerra mundial actual, la disputa es entre el sistema y la humanidad.
  Por eso la lucha anticapitalista es una lucha por la humanidad.
  Quienes todavía pretenden “arreglar” o “salvar” al sistema, en realidad nos proponen el suicidio masivo, global, como sacrificio póstumo al Poder.
  Pero en el sistema no hay solución.
  Y no bastan ni el horror, ni la condena, ni la resignación, ni la esperanza en que ya pasó lo peor y las cosas no harán sino mejorar.
  No.  Lo cierto es que se va poner peor.
  Por esas razones, más las que cada quien agregue de sus particulares calendarios y geografías, es que hay que resistir, hay que rebelarse, hay que decir “no”, hay que luchar, hay que organizarse.
  Por eso hay que levantar el viento de abajo con resistencia y rebeldía, con organización.
  Sólo así podremos sobrevivir.  Sólo así será posible vivir.
  Y sólo entonces, como fue nuestra palabra hace 25 años, podremos ver que…
“Cuando amaine la tormenta,
 cuando la lluvia y fuego dejen en paz otra vez la tierra,
 el mundo ya no será el mundo, sino algo mejor.”
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La guerra y los muros de afuera y de adentro.
  Si antes el sufrimiento causado por la guerra era patrimonio exclusivo del abajo mundial, ahora ensancha sus calamidades.
  Sobre cada rincón del planeta, el odio y el desprecio pretenden destruir familias, comunidades enteras, naciones, continentes.  No es necesario ya haber cometido un delito o ser presunto criminal, basta ser sospechoso de ser humano.
  Provocada por la codicia del gran dinero, la pesadilla actual pretende ser cobrada a quienes la padecen.  Las fronteras ya no sólo son líneas punteadas en los mapas y garitas aduanales, ahora son murallas de ejércitos y policías, de cemento y ladrillos, de leyes y persecuciones.  En todo el mundo de arriba, la caza del ser humano se incrementa y se festina en competencias clandestinas: gana quien más expulse, encarcele, confine, asesine.
  Como llevamos diciendo desde hace más de 20 años, la globalización neoliberal no trajo el surgimiento de la aldea planetaria, sino la fragmentación y disolución de los llamados “Estados-nación”.  Llamamos entonces, y ahora, a ese proceso con el nombre que mejor lo describe: “guerra mundial” (la cuarta, según nosotr@s).
  Lo único que se mundializó fue el mercado y, con él, la guerra.
  Para quienes hacen funcionar las máquinas y hacen nacer a la tierra, las fronteras siguieron y siguen siendo lo que siempre han sido: cárceles.
  Nuestra afirmación provocó entonces, hace dos décadas, sonrisas burlonas de la intelectualidad internacional encadenada a viejos y caducos dogmas.  Y esos mismos hoy tartamudean ante una realidad frenética, y, o ensayan viejas recetas, o se mudan a la idea de moda que, tras una compleja elaboración teórica, esconde lo único verdadero: no tienen ni la más remota idea de lo que pasa, ni de lo que sigue, ni de lo que antecedió a la pesadilla actual.
  Se lamentan.  El pensamiento de arriba les prometió un mundo sin fronteras, y su resultado es un planeta atiborrado de trincheras chovinistas.
  El mundo no se transformó en una gigantesca megalópolis sin fronteras, sino en un gran mar sacudido por una tempestad que no tiene precedentes de igual magnitud.  En él, millones de desplazados (a quienes, con rubor mediático, se les unifica bajo el nombre de “migrantes”) naufragan en pequeñas barcas, esperando ser rescatados por el gigantesco navío del gran Capital.
  Pero no sólo no lo hará; él, el gran Capital, es el principal responsable de la tormenta que amenaza ya la existencia de la humanidad entera.
  Con el torpe disfraz del nacionalismo fascista, los tiempos del oscurantismo más retrógrada vuelven reclamando privilegios y atenciones.  Cansado de gobernar desde las sombras, el gran Capital desmonta las mentiras de la “ciudadanía” y la “igualdad” frente a la ley y el mercado.
  La bandera de “libertad, igualdad y fraternidad” con la que el capitalismo vistió su paso a sistema dominante en el mundo, es ya sólo un trapo sucio y desechado en el basurero de la historia de arriba.
  Al fin el sistema se desemboza y muestra sus verdaderos rostro y vocación.  “Guerra siempre, guerra en todas partes”, reza el emblema del soberbio buque que navega en un mar de sangre y mierda.  Es el dinero y no la inteligencia artificial la que combate a la humanidad en la batalla decisiva: la de la supervivencia.
  Nadie está a salvo.  Ni el ingenuo capitalista nacional, que soñaba con la bonanza que le ofrecían los mercados mundiales abiertos, ni la conservadora clase media sobreviviendo entre el sueño de ser poderosa y la realidad de ser rebaño del pastor en turno.
  Y ni hablar de la clase trabajadora del campo y la ciudad, en condiciones más difíciles si posible fuera.
  Y, para completar la imagen apocalíptica, millones de desplazados y migrantes agolpándose en las fronteras que, de pronto, se volvieron tan reales como los muros que, a cada paso, interponen gobiernos y criminales.  En la geografía mundial de los medios de comunicación y las redes sociales, los desplazados, fantasmas errantes sin nombre ni rostro, apenas son un número estadístico que muta su ubicación.
  ¿El calendario?  Apenas un día después de la promesa del fin de la historia, de la solemne declaración de la supremacía de un sistema que otorgaría bienestar a quien trabajara, de la victoria sobre el “enemigo comunista” que pretendía coartar la libertad, imponer dictaduras y generar pobreza, de la eternidad prometida que anulaba todas las genealogías.  El mismo calendario que anunciaba apenas ayer que la historia mundial recién empezaba.  Y resulta que no, que todo no era sino el preludio de la más espantosa pesadilla.
  El capitalismo como sistema mundial colapsa, y, desesperados, los grandes capitanes no atinan a dónde ir.  Por eso se repliegan a sus guaridas de origen.
  Ofrecen lo imposible: la salvación local contra la catástrofe mundial.  Y la pamplina se vende bien entre una clase media que se difumina con los de abajo en sus ingresos, pero pretende suplir sus carencias económicas con refrendos de raza, credo, color y sexo.  La salvación de arriba es anglosajona, blanca, creyente y masculina.
  Y ahora, quienes vivían de las migajas que caían de las mesas de los grandes capitales, ven desesperados cómo también contra ellos se levantan los muros.  Y, el colmo, pretenden encabezar la oposición a esa política guerrera.  Así vemos a la derecha intelectual hacer gestos de contrariedad e intentar tímidas y ridículas protestas.  Porque no, la globalización no fue el triunfo de la libertad.  Fue y es la etapa actual de la tiranía y la esclavitud.
  Las Naciones ya no lo son, aunque aún no se hayan percatado de ello sus respectivos gobiernos.  Sus banderas y emblemas nacionales lucen raídos y descoloridos.  Destruidos por la globalización de arriba, enfermos por el parásito del Capital y con la corrupción como única señal de identidad, con torpe premura los gobiernos nacionales pretenden resguardarse a sí mismos e intentar la reconstrucción imposible de lo que alguna vez fueron.
  En el compartimento estanco de sus murallas y aduanas, el sistema droga a la medianía social con el opio de un nacionalismo reaccionario y nostálgico, con la xenofobia, el racismo, el sexismo y la homofobia como plan de salvación.
  Las fronteras se multiplican dentro de cada territorio, no sólo las que pintan los mapas.  También y, sobre todo, las que levantan la corrupción y el crimen hecho gobierno.
  La bonanza posmoderna no era sino un globo inflado por el capital financiero.  Y vino la realidad a pincharla: millones de desplazados por la gran guerra llenan las tierras y las aguas, se amontonan en las aduanas y van haciendo grietas en los muros hechos y por hacer.  Alentados antes por el gran Capital, los fundamentalismos encuentran tierra fértil para sus propuestas de unificación: “del terror nacerá un solo pensamiento, el nuestro”.  Después de ser alimentada con dólares, la bestia del terrorismo amenaza la casa de su creador.
  Y, lo mismo en la Unión Americana, que en la Europa Occidental o en la Rusia neo zarista, la bestia se retuerce e intenta protegerse a sí misma.  Encumbra ahí (y no sólo ahí) a la estupidez y la ignorancia más ramplonas y, en sus figuras gobernantes, sintetiza su propuesta: “volvamos al pasado”.
  Pero no, América no volverá a ser grande de nuevo.  Nunca más.  Ni el sistema entero en su conjunto.  No importa qué hagan los de arriba.  El sistema llegó ya al punto de no retorno.
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Contra el Capital y sus muros: todas las grietas.
  La ofensiva internacional del Capital en contra de las diferencias raciales y nacionales, promoviendo la construcción de muros culturales, jurídicos y de cemento y acero, busca reducir más aún el planeta.  Pretenden crear así un mundo donde sólo quepan los que arriba son iguales entre sí.
  Sonará ridículo, pero así es: para enfrentar la tormenta el sistema no busca construir techos para guarecerse, sino muros detrás de los cuales esconderse.
  Esta nueva etapa de la guerra del Capital en contra de la Humanidad debe enfrentarse sí, con resistencia y rebeldía organizadas, pero también con la solidaridad y el apoyo a quienes ven atacadas sus vidas, libertades y bienes.
  Por eso:
  Considerando que el sistema es incapaz de frenar la destrucción.
  Considerando que, abajo y a la izquierda, no debe haber cabida para el conformismo y la resignación.
  Considerando que es momento de organizarse para luchar y es su tiempo de decir “NO” a la pesadilla que desde arriba nos imponen.
LA COMISIÓN SEXTA DEL EZLN Y LAS BASES DE APOYO ZAPATISTAS CONVOCAMOS:
I.- A la campaña mundial:
Frente a los muros del Capital:
la resistencia, la rebeldía, la solidaridad y el apoyo de abajo y a la izquierda.
  Con el objetivo de llamar a la organización y la resistencia mundial frente a la agresividad de los grandes dineros y sus respectivos capataces en el planeta, y que aterroriza ya a millones de personas en todo el mundo:
  Llamamos a organizarse con autonomía, a resistir y rebelarse contra las persecuciones, detenciones y deportaciones.  Si alguien se tiene que ir, que sean ellos, los de arriba.  Cada ser humano tiene derecho a una existencia libre y digna en el lugar que mejor le parezca, y tiene el derecho a luchar para seguir ahí.  La resistencia a las detenciones, desalojos y expulsiones son un deber, así como deber es apoyar a quienes se rebelan contra esas arbitrariedades SIN IMPORTAR LAS FRONTERAS.
  Hay que hacerle saber a toda esa gente que no está sola, que su dolor y su rabia es vista aún a la distancia, que su resistencia no es sólo saludada, también es apoyada así sea con nuestras pequeñas posibilidades.
  Hay que organizarse.  Hay que resistir.  Hay que decir “NO” a las persecuciones, a las expulsiones, a las cárceles, a los muros, a las fronteras.  Y hay que decir “NO” a los malos gobiernos nacionales que han sido y son cómplices de esa política de terror, destrucción y muerte.  De arriba no vendrán las soluciones, porque ahí se parieron los problemas.
  Por eso llamamos a la Sexta en su conjunto a que se organice, según su tiempo, modo y geografía, para apoyar en y con actividades a quienes resisten y se rebelan contra las expulsiones.  Sea apoyándolos para que regresen a sus hogares, sea creando “santuarios” o apoyando los ya existentes, sea con asesorías y apoyos legales, sea con paga, sea con las artes y las ciencias, sea con festivales y movilizaciones, sea con boicots comerciales y mediáticos, sea en el espacio cibernético, sea donde sea y como sea.  En todos los espacios donde nos movamos es nuestro deber apoyar y solidarizarnos.
  Llegó el momento de crear comités de solidaridad con la humanidad criminalizada y perseguida.  Hoy, más que nunca antes, su casa es también nuestra casa.
  Como zapatistas que somos, nuestra fuerza es pequeña y, aunque es amplio y hondo nuestro calendario, nuestra geografía es limitada.
  Por eso y para apoyar a quienes resisten a las detenciones y deportaciones, desde hace varias semanas la Comisión Sexta del EZLN ha iniciado contactos con individu@s, grupos, colectivos y organizaciones adherentes a la Sexta en el mundo, para ver el modo de hacerles llegar una pequeña ayuda de modo que les sirva como base para lanzar o continuar toda suerte de actividades y acciones a favor de l@s perseguid@s.
  Para iniciar, les enviaremos las obras artísticas creadas por l@s indígenas zapatistas para el CompArte del año pasado, así como café orgánico producido por las comunidades indígenas zapatistas en las montañas del sureste mexicano, para que, con su venta, realicen actividades artísticas y culturales para concretar el apoyo y la solidaridad con los migrantes y desplazados que, en todo el mundo, ven amenazadas su vida, libertad y bienes por las campañas xenofóbicas promovidas por los gobiernos y la ultra derecha en el mundo.
  Eso por lo pronto.  Ya iremos ideando nuevas formas de apoyo y solidaridad.  Las mujeres, hombres, niños y ancianos zapatistas no les dejaremos sol@s.
II.- Invitamos también a toda la Sexta y a quien se interese, al seminario de reflexión crítica “LOS MUROS DEL CAPITAL, LAS GRIETAS DE LA IZQUIERDA” a celebrarse los días del 12 al 15 de abril del 2017, en las instalaciones del CIDECI-UniTierra, San Cristóbal de Las Casas, Chiapas, México.  Participan:
Don Pablo González Casanova.

María de Jesús Patricio Martínez (CNI).
Paulina Fernández C.
Alicia Castellanos.
Magdalena Gómez.
Gilberto López y Rivas.
Luis Hernández Navarro.
Carlos Aguirre Rojas.

Arturo Anguiano.
Sergio Rodríguez Lascano.
Christian Chávez (CNI).
Carlos González (CNI).
Comisión Sexta del EZLN.
Próximamente daremos más detalles.
III.- Convocamos a tod@s l@s artistas a la segunda edición del “CompArte por la Humanidad” con el tema: “Contra el Capital y sus muros: todas las artes” a celebrarse en todo el mundo y en el espacio cibernético.  La parte “real” será en fechas del 23 al 29 de julio del 2017 en el caracol de Oventik y el CIDECI-UniTierra.  La edición virtual será del 1 al 12 de agosto del 2017 en la red.  Próximamente daremos más detalles.
IV.- También les pedimos estar atent@s a las actividades a las que convoque el Congreso Nacional Indígena, como parte de su proceso propio de conformación del Concejo Indígena de Gobierno.
V.- Convocamos a l@s científic@s del mundo a la segunda edición del “ConCiencias por la Humanidad” con el tema: “Las ciencias frente al muro”.  A celebrarse del 26 al 30 de diciembre del 2017 en el CIDECI-UniTierra, San Cristóbal de Las Casas, Chiapas, México, y en el espacio cibernético.  Próximamente daremos más detalles.
No es todo.  Hay que resistir, hay que rebelarse, hay que luchar, hay que organizarse.
Desde las montañas del Sureste Mexicano.
Subcomandante Insurgente Moisés.    Subcomandante Insurgente Galeano.
México, febrero 14 (también día de nuestr@s muert@s) del 2017.

Na Colombia, líderança da Ação Comunal de Yarumal, Luz Herminia Olarte, é assassinada


Luz Herminia Olarte, líder comunitária, camponesa e indígena, presidente da Junta de Ação Comunal de Yarumal foi assassinada no último dia 7 de fevereiro, na Colombia.

Desde o início do ano já são 19 lideranças assassinadas na Colombia, 5 delas envolvidas na defesa dos direitos humanos na Antioquia e as autoridades e instituições estatais nada dizem e nada fazem contra os assassinos.

Antes de ser morta, Luz Olarte tinha alertado as autoridades sobre as ameaças de assassinato que sofria, sem nenhum resultado por parte do estado. Seus assassinos fazem parte de grupos neo-paramilitares que trabalham como mercenários para as elites e empresas multinacionais.

(Leia o informe em espanhol)

El pasado 7 de febrero fue encontrado el cuerpo sin vida de la lideresa comunitaria y defensora de derechos humanos Luz Herminia Olarte, la Coordinación Colombia Europa nodo Antioquía, denunció los hechos a través de un comunicado y señaló que en lo corrido del año ya son 19 los líderes y lideresas asesinadas, de los cuales 5 tenían una ardua labor de defensa de derechos humanos en Antioquia y las instituciones estatales, no dicen nada.

Óscar Olarte integrante de la Coordinación, señaló que la lideresa era presidenta de la Junta de Acción Comunal de Yarumal y tenía un proceso con las comunidades campesinas del Llano de Chalí en Yarumal, relata que “fue vilmente asesinada” y aunque se había alertado a las autoridades de amenazas previas contra la lideresa, “las autoridades no hicieron nada”, en la misiva, la Coordinación exigió garantías al Gobierno y celeridad en las investigaciones para todos los asesinatos de líderes.

Las autoridades sabían de las amenazas

La organización, reveló que a pesar de recurrentes informes entregados al Sistema de Alertas Tempranas de la Defensoría sobre los asesinatos sistemáticos y el avance de grupos neo-paramilitares, “no existen medidas efectivas del Estado para repeler, reducir, desarticular o someter a estos grupos”. (Le puede interesar: 4 líderes afrocolombianos asesinados en menos de un mes)

Olarte manifestó que existe una preocupación por parte de las comunidades y organizaciones de derechos humanos que hacen presencia en la región, por el fortalecimiento de las estructuras paramilitares, las “estrategias evidentemente sistemáticas” de asesinatos, amenazas, hostigamientos, el silencio y la negligencia de las instituciones del Estado.

El defensor advirtió que tanto las comunidades como organizaciones han registrado que estos grupos paramilitares de las Autodefensas Gaitanistas, se han movilizado por zonas donde hay presencia del Ejército, y “las Fuerzas Militares no han impedido su paso”.

En 2016 un líder o lideresa fue asesinado cada mes en Antioquia, sin embargo en 2017 “tenemos un aumento de 500% en los asesinatos, van 2 meses y ya son 5 los líderes que han perdido la vida” puntualizó Olarte.

Por último, afirmó que saben del avance de estos grupos hacia el Urabá y “otras zonas que antes eran ocupadas por las FARC”, comentó que la comunidad de encuentra muy preocupada, temen por la vida de los demás líderes y por la continuidad de los procesos campesinos en la región, además resaltó que de acuerdo con lo pactado en La Habana, “el Gobierno no puede seguir evadiendo la responsabilidad de desmantelar el paramilitarismo”.
Fonte: Contagio Radio

Quando a gente sai da aldeia, tem que saber lidar com a estupidez e a discriminação

“Quando a gente sai da aldeia pra estudar ou trabalhar, tem que saber lidar com a estupidez e a discriminação”, afirma a estudante do curso técnico de Enfermagem, Mirtes Sebastião.

Mirtes é uma bela jovem Tupinikuim, que estuda e trabalha em Vitória e cuida dos filhos em Caieiras Velha, Aracruz, norte do Estado. Conta que sempre estudou em escolas fora da aldeia e sempre foi boa aluna. Mas, ainda assim, a discriminação racial foi e continua sendo uma constante em sua vida.

“Mesmo sabendo me comunicar e com português muito correto, no momento em que eu abro a boca pra falar que sou de Caieiras, vêm os preconceitos”, reclama. Por conta dessa violência semvelada, Mirtes conta que já viu muitos colegas desistirem de estudar.

Principalmente os Guaranis, que, segundo ela, são mais tímidos e ainda mais discriminados, devido ao sotaque mais acentuado e à maior dificuldade de acompanhar o ritmo rápido da fala do branco. “Tive dois colegas Guarani que não conseguiam entender o que o professor explicava, ele falava muito rápido. Eu defendi muito os dois, mas não teve jeito, eles saíram da escola”, lamenta.

Já o Tupinikuim, conta, é mais expansivo. “Bate de frente”, afirma. O motivo é o maior esclarecimento das comunidades, que hoje conhecem melhor os seus direitos e sabem se defender. “Mexeu com um, mexeu com todos, é como tocar num vespeiro”, avisa.

Mas mesmo entre os seus, as desistências acontecem e muitos nem tentam sair da aldeia para estudar. “Eles sabem que vão ser achincalhados, debochados”, revolta-se. Mirtes é uma das defensoras da Escola Estadual Indígena de Ensino Médio Aldeia Caieiras Velha. Ela mesma fez a pré-matrícula e, diante da estagnação por parte do governo do Estado, se lançou a estudar na cidade, mas muitos dos que aguardavam a inauguração da escola não a acompanharam e interromperam os estudos.

Discriminação também no trabalho

Hoje, mesmo estudando o curso técnico e trabalhando “no maior hospital do Estado”, como ela gosta de enfatizar, afirma que ainda é discriminada. O preconceito não é escancarado, vem na forma de piadinhas, comentários, conta a jovem. “Porque eles sabem que é crime. Mas mesmo indiretamente, fica dentro da gente, machuca”, relata.

O cacique de Caieiras, Fabiano da Silva Lemos, também lembra de quando era discriminado, durante os doze anos em que trabalhou como carreteiro para a Aracruz Celulose (Fibria). Hoje, trabalhando na aldeia, acompanha o drama de seus parentes. Conseguir emprego nas fábricas é muito difícil, basta dizer que mora na aldeia e as portas se fecham.

Apesar de toda a dificuldade, Fabiano conta que suas memórias de infância são ainda mais tristes. “A gente apanhava na rua, em Coqueiral, se dizia que índio”, lamenta. Durante esta difícil semana para as comunidades indígenas, que realizaram protestos contra agressões sofridas em uma abordagem policial, Fabiano viveu o céu e o inferno. Ao mesmo tempo em que cartazes caluniavam seu povo, acusando-os de desordem e de impedir o progresso no município, ouviu, no mercado, pessoas dizendo que eles devem sim lutar por seus direitos e sua honra. “Elogiaram nossa luta”, compartilha, feliz.

Violência policial e conquistas

Uma semana depois do ato de truculência policial – que feriu seis indígenas e três cavalos na tarde do último sábado (4), próximo à Praia do Padres, em Aracruz – as comunidades liberam a última rodovia que ainda estava bloqueada em protesto: a Primo Bitti, que liga Coqueiral a Aracruz, passando por duas aldeias Tupinikim. Também chegaram a ser bloqueadas trechos da ES 010 e ES 257.

A liberação, no entanto, teve uma condicionante, aceita pelo prefeito Jones Cavaglieri (SD), que, em reunião com os caciques, também se desculpou e relatou sua retratação na rádio local. O prefeito se comprometeu a instalar sinalização e quebra-molas na rodovia, bem como construir um portal na entrada das aldeias. Na próxima segunda-feira (13) as comunidades decidirão sobre um futuro fechamento dessa estrada para fluxo de veículos de fora das aldeias.

A última foi desobstruída nesta sexta-feira (10), após reunião com um capitão, um major e um comandante da Polícia Militar de Aracruz. O cacique de Caieiras Velha, Fabiano da Silva Lema, relata que os três policiais se desculparam diante dos caciques e afirmaram que os agressores serão punidos assim que o quartel voltar a funcionar. As lideranças indígenas estipularam um prazo de 60 dias para o cumprimento da promessa.

Identidade cultural capixaba

O caso da agressão policial tem sido acompanhado pelo Ministério Público Federal (MPF), Fundação Nacional do Índio (Funai), Centro de Defesa dos Direitos Humanos (CDDH-Serra) e Conselho Estadual de Direitos Humanos, este se envolvendo diretamente em uma temática indígena desde há alguns anos.

“A gente entende a importância de proteger a cultura indígena e como isso é importante também para a identidade capixaba”, alega Morgana Boostel, presidenta do Conselho que, junto ao CDDH, tem buscado uma agenda na Corregedoria da Polícia Militar, para tratar da demissão dos quatro policiais autores da violência.

Apenas uma pauta ainda não avançou: o funcionamento da Escola Estadual Indígena de Ensino Médio Aldeia Caieiras Velha. Alvo de uma ação do MPF, a primeira audiência de conciliação está marcada para março e as tentativas de antecipação ainda não surtiram efeito.

A escola chegou a ser inaugurada no final de 2014, mas não funcionou, pois o governador Paulo Hartung não cumpriu a determinação de contratar os professores e outros funcionários. Resultado: prédio, móveis e equipamentos parados há dois anos, desperdício de dinheiro público – foram investidos cerca de R$ 372 mil pela prefeitura e gestão estadual anterior – e humilhação e abandono de estudo por parte dos jovens Tupinikim e Guarani.

 

Fonte: Século Diário

Tupinikins são agredidos e ameaçados de morte por policiais em Aracruz (Espírito Santo)

Índígenas da etnia Tupinikim, mulheres e crianças, foram violentamente abordados pela Polícia Militar no final da tarde desse sábado (4) na Rodovia ES-010, na altura da Praia dos Padres, em Aracruz, norte do Estado.

Quatro policiais se aproximaram aos gritos e com armas nas mãos, mandando que todos descessem dos cavalos em que estavam montados e deitassem no chão. A desculpa para agressão foi “obstrução indevida da via”.

Uma das lideranças tupinikim afirmou que naquele trecho não havia acostamento, por isso os cavalos ocuparam a pista.

"Ato covarde e absurdo,um abuso de poder da parte dos policiais contra os irmãos,matar os pobres animais na covardia e atirar balas de borracha nos jovens que só estavam em uma cavalgada,em um momento de lazer,fico pensando se essa opressão contra os indigenas continuar o que será dos nossos filhos,a policia devia proteger e não atirar e matar os animais inocentes" Fica um sentimento de impotência e de medo dos que dizem que defendem a lei e a ordem….Espero que justiça seja feita.

Posted by Davi Bolonese on Samstag, 4. Februar 2017

Os índios tentaram dialogar e acalmar os policiais, apelando para o bom senso. Os policiais por sua vez não foram truculentos com a armas em punho e atitude ameaçadora, não queriam diálogo.

Os policiais então atiraram contra os cavalos, ferindo gravemente três animais. Um dos cavalos teve que ser deixado na rodovia com hemorragia. Vários indígenas também foram feridos por tiros de bala de borracha e cassetetes.

Ao demandarem a presença da Polícia Federal os Tupinikim foram ainda mais insultados, pelos policiais. Um deles afirmou “Índio bom é índio morto”.

Por solicitação dos quatro policiais agressores, outros 40 policiais que participavam de uma greve foram até o local para reforçar o espancamento dos 20 indígenas.

Os Tupinikim bloquearam uma rodovia que atravessa suas terras desde o ocorrido de sábado, e a partir desta segunda (6) bloquearam também a rodovia ES-010 onde se deu o crime policial e a estrada que liga a cidade de Aracruz a fábrica da Fibria (antiga Aracruz Celulose).

Fonte: Século Diário